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Banda larga segue a passos curtos

Correio Braziliense - 16/08/2010
 
A internet avança rapidamente no país, mas ainda é baixa a qualidade e alto o preço. Sem conseguir estender à oferta de banda larga a posição de liderança que ocupa na economia da América Latina, o Brasil está, nessa área, atrás do México, da Argentina e do Chile, países cuja rede é quase o dobro da brasileira. Faltam cobrança enérgica da autoridade e ações mais eficientes do governo, tanto para induzir a melhora do serviço, avidamente procurado por parte cada vez maior da população, quanto para proporcionar o acesso aos mais pobres ou aos que habitam regiões remotas.

Nesse sentido, é animadora a decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de tentar definir um padrão mínimo de qualidade, a começar da velocidade realmente entregue ao consumidor. Mas esse é apenas um dos problemas e não deve ser impossível encontrar solução adequada, desde que se busquem entendimento e parceria do governo com a iniciativa privada. Isso porque novos e pesados investimentos são indispensáveis para a remoção de limitações tecnológicas e estruturais, típicas de país que, a bem da verdade, tem relegado a infraestrutura a plano secundário. No caso das telecomunicações, atrasos tecnológicos não esperam para acontecer e costumam cobrar caro pelos descuidos. Não vale a pena perder o passo nessa corrida.

Por sua vez, não se percebe avanço no anunciado esforço governamental de proporcionar ou, pelo menos, provocar o aumento da oferta de acesso à internet por banda larga a preço acessível à população de baixa renda. Afinal, três meses depois do decreto que o instituiu, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), lançado com rompantes de enfrentamento à iniciativa privada — acusada de má vontade e de indisposição de deixar as supostas zonas de conforto das concentrações de consumo —, continua muito perto de onde estava. Nem mesmo foram definidas as metas de atendimento e as primeiras cidades (além de 15 capitais) a serem alcançadas. Como vai, o PNBL corre o risco de não ter passado de pretexto para o renascimento da estatal Telebras, por enquanto apenas candidata a cabide de empregos.

Se o calendário eleitoral não tem ajudado a acelerar o processo de nivelamento do Brasil aos vizinhos que já incluíram a maioria da população no mundo digital, pelo menos pode e deve ser aproveitado para se colocar esse tipo inclusão social nas preocupações dos presidenciáveis. A esta altura, menos do que encontrar culpados pelo atraso, o que importa, seja quem for o próximo governante, é que, nesse campo, o Brasil não tem mais tempo a perder.